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Dr.
Jerry W. Vlasak, Médico Cirurgião -
Estados Unidos
Trauma Surgeon, San Bernardino County Medical Center; Trauma
Surgeon, Loma Linda University Medical Center; Level
I Trauma Center- All aspects of Trauma/ Critical Care; Associate Director of
Surgery, Waterbury Hospital Health Center; Full-time involvement with resident
education; Director, Surgical Intensive Care Unit; Associate Director, Trauma
Services; Private
Practice, Santa Barbara County, California; Founded and developed Central Coast
Surgical Group.
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Você
acredita que o uso de animais durante a educação médica é
indispensável para
o ensino de técnica
cirúrgica? Porquê? Dr.
Vlasak: Obviamente que não. Nenhum cirurgião nos EUA aprendem cirurgia
praticando em animais. Apenas uma universidade daqui requer animais de
laboratório, e todas oferecem alternativas para a dissecção animal.
Animais são tão diferentes em tantos aspectos, e a prática provinda
deste tipo de experimento não são confiáveis quando praticamos a
medicina humana. Mais importante, como podemos esperar que jovens
cirurgiões desenvolvam sensibilidade, quando eles são ensinados a matar
animais saudáveis. Que
tipo de alternativas você sugeriria para a substituição dos animais
durante o treinamento cirúrgico? Dr. Vlasak: Como citado anteriormente, animais não são utilizados para se aprender técnicas cirúrgicas nos EUA. Os animais ainda são usados em pesquisa básica, não porque eles são um bom meio para se aprender mais, mas porque tal prática é tão estabelecida, e há tanto dinheiro sendo gerado pela indústria animal-biomédica. Que
tipos de prejuízos (éticos, psicológicos, etc.) o uso de animais na
educação médica pode causar ao estudante de medicina? Dr.
Vlasak: Como
um jovem médico pode justificar a matança de um ser saudável para se
aprender o que pode ser facilmente aprendido, em um nível muito mais
real, através do uso de simulações de computadores e ambientes
clínicos? Muitos estudantes de medicina nos EUA tem tido uma posição
muito forte contra a matança de animais nas faculdades, e tem sido os
grandes responsáveis pela substituição dos animais de laboratório.
Mesmo em faculdades de veterinária os estudantes estão substituindo o
animal de laboratório por experiências clínicas e outros métodos de
ensino. Cirurgiões
daqui dizem que o estudante deve estar em contato com tecidos vivos, e que
sem isso é impossível aprender a técnica cirúrgica. Alguns desconhecem
universidades pelo mundo que não utilizem tecidos vivos para o ensino de
cirurgia. É verdade? Dr.
Vlasak: Nos
EUA, a cirurgia é ensinada por cirurgiões mais experientes, conduzindo
jovens residentes através de procedimentos cada vez mais complicados na
sala de operações humanas. O tecido vivo é usado, como também se
aprende corretamente sobre fisiologia e anatomia humana. Gostaria de
repetir que nenhum cirurgião nos EUA aprendem cirurgia em animais
não-humanos. E alguns deles também afirmam que mesmo que não se exija o uso de animais durante o período de graduação, certamente utilizarão após a graduação. É verdade? Dr.
Vlasak: Como expliquei acima, o treinamento em animais na graduação e
pós graduação não é requerida, mas usualmente existe uma opção para
aqueles que desejam realizá-la. Mesmo
no treinamento cirúrgico, é uma opção estritamente de pesquisa
orientada, e não é obrigatória. Apenas nas escolas de medicina das
forças armadas existe a exigência de dissecção no currículo. Enfim,
os estudantes não são exigidos na prática de dissecção em estágios
mais avançados. É
possível ser um bom cirurgião sem ter aprendido com animais? Dr. Vlasak: Sou um bom cirurgião, e não aprendi em animais. Você
pode explicar mais sobre o período de residência (por exemplo), onde os
estudantes estão em contato com pacientes humanos e aprendem métodos
cirúrgicos em seres humanos? Dr. Vlasak: Temos um período de 5 a 7 anos de residência em cirurgia nos EUA. Começando no primeiro ano, os residentes são conduzidos através de operações simples, como reparos de hérnia e biópsias de mama, com um cirurgião mais experiente supervisionando atentamente. Desta forma se ensina as técnicas de tecido corretamente, e é combinado com o ensino didático da sala de operação e enfermarias. A medida em que o período de residência avança, o residente vai tendo contato com operações cada vez mais complexas, sempre sob supervisão de um cirurgião experiente. Realidade
virtual e outras tecnologias não dão ao estudante informações
importantes sobre sinais vitais, hemorragias, tato. É verdade? Dr.
Vlasak: A realidade virtual está ficando cada vez melhor com o passar do
tempo. Especialmente na área de cirurgia laparoscópica, alguns dos
simuladores são recursos muito bons no ensino de destreza e coordenação
olho-mão. Algum comentário adicional? Dr. Vlasak: Os animais não somente são desnecessários e raramente usados na educação médica nos EUA, como a ausência da matança de indivíduos saudáveis propicia o ensino da compaixão e preocupação nos jovens médicos. Eu estive viajando pela Europa oriental, onde as técnicas não-animais são adotadas com entusiasmo, e novas simulações de computadores foram apreciadas. O uso de animais não-humanos para ensinar medicina humana é um conceito do passado, e está sendo substituído por alternativas mais eficazes e humanas. Entrevista concedida à Thales Tréz em dezembro 1999 |